Quarta-Feira, 11 de Março de 2026

IMA fará inspeção para verificar lançamento de esgoto no mar de Maragogi

A rede pertence a um antigo sistema de esgotamento sanitário administrado pela prefeitura, mas que se encontra desativado há mais de uma década


Por GazetaWeb/Maragogi
Publicada em 20/12/2016 às 11:34


Esgoto sangrou e atingiu a praia e o mar de Maragogi (Foto: cortesia)

O Instituto do Meio Ambiente (IMA) de Alagoas informou que fará, ainda nesta terça-feira (20), uma inspeção na orla de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas. O objetivo é verificar o lançamento de esgoto no mar do município e identificar possíveis danos ambientais para responsabilizar os autores.

Em julho deste ano, fiscais do Instituto autuaram a prefeitura de Maragogi por permitir o lançamento de esgoto in-natura em áreas de praia e manguezal. Foi aplicada multa em desfavor do município de R$ 257.108,55.

Naquela ocasião, o IMA identificou o lançamento de efluentes sem tratamento no lado Norte da orla marítima da cidade, justamente na área onde, no domingo (18), ocorreu um grande vazamento de esgoto proveniente das galerias que cortam o Conjunto Adélia Lira (Grota).

A rede pertence a um antigo sistema de esgotamento sanitário administrado pela prefeitura, mas que se encontra desativado há mais de uma década. Com as chuvas torrenciais caídas no domingo passado, o esgoto acumulado nas galerias, durante dias de estiagem, acabou sangrando e manchando o mar do segundo maior polo turístico do Estado.

Em entrevista, na manhã desta terça-feira (20), à rádio CBN Maceió, o secretário de Estado de Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos, Alexandre Ayres, lamentou o despejo de esgoto na praia de Maragogi, que classificou com um “contrassenso”, já que o município possui um dos mais belos litorais do Brasil e é visitado por turistas nacionais e internacionais.

Ele garantiu que o governo do Estado não poupará esforços para solucionar o problema, mas também pediu o engajamento da prefeitura e dos moradores para que interliguem suas residências ao sistema da Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal), evitando assim as ligações clandestinas às redes de águas pluviais.

O problema é que o Conjunto Adélia Lira não foi contemplado com as obras de instalação do sistema de esgotamento sanitário da Casal, em operação desde 2006, e que custaram R$ 11 milhões aos cofres do Estado. Dados do Ministério das Cidades (Sistema Nacional de Informações Sobre Saneamento) apontam que apenas 23,7% do esgoto produzido pela população de Maragogi é coletado e tratado.

O prefeito de Maragogi, Henrique Peixoto (PSD), lembrou que, por determinação do governador Renan Filho (PMDB), a Casal se comprometeu a elaborar um projeto técnico com objetivo de eliminar todos os pontos de lançamento de esgoto no litoral do município.

Peixoto recordou, ainda, que o assunto foi debatido no dia 12 de maio deste ano, quando esteve reunido no gabinete dele com toda a diretoria da Casal e o trade turístico do município. O prefeito, entretanto, lamentou que o projeto ainda não tenha sido concluído.

Recursos

O gestor afirmou que a obra de esgotamento sanitário demanda um volume de recursos que o município não dispõe, mas acredita que a verba será liberada pelo governo do Estado para execução do serviço, já no próximo ano.

“Na reunião que tivermos, ficou o compromisso da Casal de elaborar o projeto e o governador Renan Filho (PMDB) de disponibilizar os recursos. Independentemente de questões partidárias e políticas, acredito que ele vai liberar a verba para a próxima gestão municipal”, declarou o prefeito.

O lançamento de esgoto sem tratamento impacta o mar da Área de Proteção Ambiental (APA) Costa dos Corais. O chefe da Unidade de Conservação, Iran Normande, afirmou que vai acompanhar o trabalho de inspeção que será realizado pelo IMA e cobrar providências ao poder público para resolução do problema, que classificou como “crônico”.

A Casal esclareceu, por meio de nota, que a galeria proveniente do Conjunto Adélia Lira não é de responsabilidade da autarquia estadual, mas, sim, da prefeitura de Maragogi.

Sobre o projeto de recuperação e expansão da rede que atende o Conjunto, com intuito de interligá-la ao sistema da Casal, a assessoria da Companhia informa que a proposta está em fase final de elaboração e deve ser concluída até o final deste mês. Não há, porém, previsão para o início das obras.


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