Quinta-Feira, 12 de Março de 2026

ICMBio não vai permitir passeio de bugue pelas praias de Maragogi

Proibição vai gerar um sério impacto socioeconômico às 44 famílias que exploram a atividade


Por GazetaWeb Maragogi
Publicada em 16/08/2016 às 13:22


Passeios de bugue pelas praias de Maragogi estão proibidos (Foto: Google Imagens)

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vai marcar, para os próximos dias, uma reunião com a Associação dos Bugueiros de Maragogi (ABM) para informar a seus integrantes que não será mais tolerada a circulação de veículos automotores nas praias do município, que integram a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (APACC).

Os bugueiros, que realizam passeios turísticos pelas praias de Maragogi há 24 anos, esperavam que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) fosse firmado para permitir a exploração da atividade econômica até que uma rota alternativa, paralela ao litoral, fosse montada. Entretanto, o Conselho Gestor da APACC decidiu, em reunião ordinária, que não será possível a propositura do TAC.

“O Conselho entendeu que a Associação já teve tempo suficiente para se adequar às necessidades ambientais previstas pelo Plano de Manejo da APA, publicado desde 2013, e que proíbe a circulação de veículos automotores em toda a extensão da Unidade de Conservação para evitar danos ambientais e riscos aos banhistas”, informou o chefe da APACC, Iran Normande.

De acordo com ele, as três câmaras temáticas do Conselho Gestor (Turismo, Biodiversidade e de Gestão Socioambiental) negaram a propositura do TAC que permitiria a circulação dos veículos da ABM nas praias de Maragogi até a formatação de uma rota alternativa. O chefe da APACC informou que uma reunião será marcada, ainda sem data, para comunicar a decisão do Conselho Gestor aos membros da ABM.

Após o encontro, o ICMBio, órgão gestor da UC, intensificará as fiscalizações para coibir o tráfego de veículos nas praias do município. O trabalho acontecerá em parceria com o Instituto do Meio Ambiente (IMA), prefeitura municipal e Departamento Estadual de Trânsito (Detran).

Quem for flagrado circulando nas praias da APACC em Maragogi terá o carro apreendido e receberá multa que varia de R$ 500 a R$ 10 mil. Esse trabalho de fiscalização já foi intensificado de Japaratinga a Barra de Santo Antônio, que também integram a UC.

Destruição de ninhos de tartarugas, eliminação da vegetação nativa (salsa de praia) e emissão de poluentes são apontados como alguns dos danos ambientais provocados pela circulação de veículos automotores nas faixas de praia.

Impacto

Sócia-fundadora da ABM, Solemar Vasconcelos disse que a proibição vai gerar um sério impacto socioeconômico às 44 famílias que exploram a atividade em Maragogi. O passeio de bugue é o segundo atrativo turístico mais procurado por quem chega ao município, só fica atrás das piscinas naturais.

“Estão preocupados que um caranguejo venha a morrer, mas não estão nem aí se um bugueiro morrer de fome”, desabafou Solemar.

Ela participou da reunião do Conselho Gestor, realizada em Tamandaré (PE), na semana passada, e classificou a decisão como injusta. Solemar recordou que a ABM já havia se articulado junto com o IMA e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico e Turismo (Sedetur) no sentido de criar uma rota alternativa, evitando os trechos de praia, para se adequar ao plano de manejo.

“O TAC é necessário para que possamos ter tempo para criar a rota alternativa. Ela já foi traçada, mas, para isso, precisamos fazer os desvios e construir uma ponte de madeira em decorrência de várias construções irregulares que bloqueiam, de Ponta de Mangue a Peroba, uma antiga estrada de barro, que fica próxima ao litoral e que seria utilizada agora. O turista não vai sair do hotel para andar de bugue no asfalto”, explicou Solemar.


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