A preocupação do presidente é que não existam candidatos suficientes para as eleições deste ano
Por Tribuna Hoje
Publicada em 18/07/2016 às 09:58 - Atualizada em 18/07/2016 09:58
Em 1997 foi aprovada uma emenda à Constituição que permitiu ao presidente da República, aos governadores de Estado e do Distrito Federal e aos prefeitos concorrer à reeleição por um único período e desde então, essa tem sido a ‘rotina’ adotada pelos gestores.
Este ano, a realidade é diferente em Alagoas. Conforme um levantamento preliminar realizado pela Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), cerca de 13 prefeitos do total de 60 que podem disputar à reeleição, desistiram das respectivas candidaturas. O que chama atenção é que alguns deles são prefeitos de municípios conhecidos por sua representação econômica e turística, a exemplo de Arapiraca, Maragogi, Piranhas, Porto de Pedras e Pão de Açúcar. A reportagem da Tribuna Independente entrou em contato com alguns dos gestores para saber o motivo das desistências. A resposta parece ser uníssona: a crise econômica e política.
Ester Damasceno (PMDB), prefeita de Olho D’Água das Flores confirmou que a desistência foi por sentir-se decepcionada com o sistema político. “Eu desanimei. A gente trabalha muito para cumprir com as obrigações, e o que a gente vê é tudo ao avesso lá em Brasília. Ao invés de melhorar, só enxergamos piora”, revelou a gestora.
Recentemente, a gestora descobriu que seu irmão é portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA) e esse fato também deve um peso forte em sua decisão. “Não tenho como ir ao palanque sabendo que tenho um irmão com essa doença em casa. Eu desabei quando descobri e agora é o momento de dar assistência à minha família”, diz.
Prefeita da segunda maior cidade de Alagoas, Célia Rocha (PSL), alega motivos pessoas, embora a sua gestão tem sido alvo de críticas tanto pela oposição quanto por parte da população. “Foi após uma conversa com minha família. Precisava cuidar de mim, cuidar da minha saúde, que anda um pouco debilitada. Até por isso me ausentei da prefeitura, que foi cuidada muito bem pelo vice-prefeito Yale Fernandes [PMDB]”, alega a prefeita de Arapiraca.
De acordo com ela, a falta de repasse de recursos do governo federal foi um problema enfrentado desde o início de sua gestão e os municípios sempre são os mais penalizados. Além disso, a arrecadação também é um problema que os gestores municipais sofrem diariamente. Somente, em Arapiraca, apenas 20% dos imóveis pagam o IPTU, comprometendo a gestão. “Isso diminui as nossas chances de fazer mais obras, de trabalhar mais em aparatos públicos. Mas, a minha ausência é realmente pessoal”.
O prefeito de Craíbas, Bruno Pedro (PTB) não confirmou a desistência, mas adiantou que se ela acontecer será por motivos pessoais. “A situação política e econômica influencia sim na gestão, mas esse não é o motivo principal. Existem outros pontos que estou levando em consideração”.
CRISE ECONÔMICA
O presidente da Associação dos Municípios Alagoanos (AMA), Marcelo Beltrão revelou que após as convenções, marcadas para iniciar na próxima semana, até meados de agosto, o número de prefeitos que estão determinados em desistir da reeleição pode aumentar. “São muitas as atribuições para os municípios e pouca ação para se fazer justiça. Não existe financiamento por parte do governo federal. Eles sequer tem cumprido o acordo do repasse do Fundo de Participação dos Municípios”, justifica o presidente da AMA.
Para ele, a mudança na reforma eleitoral não afeta a decisão dos gestores, até porque, “as mudanças são para os dois lados”, pontuou. Marcelo disse que há muito tempo prefeitos não desistem da reeleição como aconteceu agora. “O último registro foi do ex-prefeito de Viçosa, Peri Brandão e desde então, nenhum prefeito que tinha condições de ir para a reeleição desistia da disputa. Isso mostra que os municípios estão enfrentando uma situação de fragilidade e administrar como estão hoje é extremamente difícil”, garantiu.
A preocupação do presidente é que não existam candidatos suficientes para as eleições deste ano. “Quem quer fazer pelo município está abrindo mão porque está cada vez mais difícil cumprir com as obrigações”..
MAIS DESISTÊNCIAS
A prefeita Camila Farias (PSC) do município de Porto de Pedras disse que a redução do repasse nos recursos federais e no Fundo de Participação dos Municípios foram as causas de sua desistência. “Estamos passando por um momento delicado no país, onde tem sido difícil administrar e acabamos tomando medidas de redução de secretariado, demissão de servidores e ir para uma reeleição nesse momento não é interessante”, afirmou.
Em Maragogi, o prefeito Henrique Madeira (PSD), garantiu que um acordo político não o levou para a reeleição. “Em um entendimento entre o nosso grupo político, chegamos ao consenso que o ex-prefeito e meu primo, Marcos Madeira, é o nome ideal para disputar o próximo pleito. O governador Renan o chamou para o PMDB e eu entendo que essa aliança será fundamental para o desenvolvimento de Maragogi”, falou.
Henrique disse cumprirá o seu mandato até o final encerrando um ciclo importante tanto para a cidade. “Tivemos muitas obras estruturantes como a pavimentação asfáltica e implantação da Unidade de Pronto Atendimento e para mim, como político entendo que o fiz o melhor pelo povo”.