Edmilson morreu aos 35 anos de idade
Por GazetaWeb/Maragogi
Publicada em 22/04/2016 às 08:52
O delegado de Maragogi, Ayrton Soares Prazeres, pediu a prorrogação, por mais 60 dias, do inquérito que apura a morte do presidente do Assentamento Irmã Daniela, Edmilson Alves da Silva, assassinado a tiros no dia 22 de janeiro, em Japaratinga. Ele disse que a prorrogação do prazo se deve à complexidade do caso, que possui cinco linhas de investigação, quatro delas ligadas a conflitos agrários.
“Ele tinha muitos inimigos, muitas confusões por causa de invasão de terra. Diante da complexidade, pedimos a prorrogação do prazo”, disse o delegado, em entrevista ao jornal Gazeta de Alagoas, edição desta quinta-feira (21).
Por conta da greve da Polícia Civil, porém, Ayrton Soares teme que as investigações não avancem no ritmo que ele deseja. “Só estamos trabalhando na lavratura dos flagrantes”, lembrou Soares, que responde pelas delegacias de Maragogi e de Japaratinga.
Edmilson morreu aos 35 anos de idade. O líder regional do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) foi assassinado a tiros no início da manhã do dia 22 de janeiro, à margem da AL-465, em Japaratinga, onde fica a sede do Assentamento.
Ele foi surpreendido e morto enquanto aguardava a chegada de um carro que o levaria à sede da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em Maceió. O presidente do Assentamento receberia cestas básicas que seriam distribuídas a assentados e acampados da região.
Dois homens em uma moto se aproximaram e abriram fogo contra o líder sem-terra. Ferido, ele buscou refúgio dentro da sede do Assentamento, que ainda está em fase de instalação. Edmilson tombou ao lado de um barraco de lona, morto com tiros na cabeça.
Os criminosos fugiram levando uma bolsa com todos os documentos da vítima. Além do envolvimento do líder sem-terra em conflitos agrários na região Norte, a Polícia Civil investiga a atuação de Edmilson na cobrança pela elucidação do caso que envolve o desaparecimento da sobrinha dele, Jéssica Maria da Silva.
Ela tinha 21 anos de idade quando desapareceu, no dia 29 de outubro de 2012. O ex-marido dela, o pastor evangélico José Vicente de Santana, e o suposto amante da mulher, José Gonçalves do Nascimento, o “Duda”, pivô da separação do casal, chegaram a ser apontados como autores do crime.
Acredita-se que ela tenha sido morta e o corpo, ocultado. Edmilson se engajou nas buscas por informações que levassem ao paradeiro da sobrinha e passou a cobrar com veemência a apuração do caso, bem como a prisão dos envolvidos.