Os deputados estaduais Cabo Bebeto (PL) e Ronaldo Medeiros (PT), em momentos diferentes, defenderam pontos de vista antagônicos em relação ao deslocamento para a capital
Por Por Gazetaweb
Publicada em 10/08/2023 às 18:29
A marcha de centenas de famílias de movimentos agrários sem terra provocou divergências no plenário da Assembleia Legislativa, na sessão ordinária desta terça-feira (8). O trajeto ocorreu da cidade de Messias até Maceió, começando nessa segunda-feira (7) e se estendendo até hoje.
Os deputados estaduais Cabo Bebeto (PL) e Ronaldo Medeiros (PT), em momentos diferentes, defenderam pontos de vista antagônicos em relação ao deslocamento para a capital.
O primeiro a falar foi Cabo Bebeto, que questionou o real motivo da marcha. Ele disse que a caminhada em nada tem a ver com a defesa do uso de terras, mas sim tem um caráter político.
"A justificativa seria a suposta reivindicação da reforma agrária. Mais uma ordem de um dos líderes, de tantos movimentos que há por aí. Em nada tem a ver com isso e sim um cunho político. Algumas pessoas manobram os assentados que sequer sabem o que estão fazendo por aqui. Pessoas de influência se aproveitam de idosos por falta de instrução da grande maioria dessas pessoas. E demonstram que essa marcha em nada tem a ver com a reforma agrária", criticou Bebeto.
Para confirmar sua posição, Bebeto citou o fato das famílias terem invadido a sede da Equatorial. Ele enfatiza que a empresa não tem relação com a pauta de reivindicação. O parlamentar do PL concluiu a fala indagando por que, após 13 anos de governos do PT - numa referência as duas primeiras gestões de Lula e um mandato e meio de Dilma -, ainda existam famílias sem terra no Brasil.
Reivindicação
No final da sessão, durante as explicações pessoais, foi a vez do deputado petista Ronaldo Medeiros apresentar a defesa e a justificativa da mobilização. Inicialmente, ele desmistificou a ideia de que os movimentos são formados por baderneiros.
Segundo o parlamentar, como o próprio nome sugere, eles são um movimento e, por isso, têm sempre o que reivindicar.
Para o petista, integrantes desses movimentos não têm ligação com nada de ilícito, pois vivem para plantar e produzir alimentos.
"Não são baderneiros. São trabalhadores e trabalhadoras que querem viver da terra. E que lutam pela sobrevivência de suas famílias. Querem produzir alimentos e sobre isso todos nós sabemos que a agricultura familiar é responsável por 70% da produção da agricultura familiar", observou Medeiros.
O embate civilizado dos dois parlamentares não foi aparteado por nenhum dos parlamentares presentes a sessão. Bebeto, que acompanhou o pronunciamento do colega de parlamento, também optou por não fazer nenhuma réplica a sua fala.