Segunda-Feira, 09 de Março de 2026

Marcha de famílias sem terra provoca divergência política na ALE

Os deputados estaduais Cabo Bebeto (PL) e Ronaldo Medeiros (PT), em momentos diferentes, defenderam pontos de vista antagônicos em relação ao deslocamento para a capital


Por Por Gazetaweb
Publicada em 10/08/2023 às 18:29


Dicom ALE

A marcha de centenas de famílias de movimentos agrários sem terra provocou divergências no plenário da Assembleia Legislativa, na sessão ordinária desta terça-feira (8). O trajeto ocorreu da cidade de Messias até Maceió, começando nessa segunda-feira (7) e se estendendo até hoje.

Os deputados estaduais Cabo Bebeto (PL) e Ronaldo Medeiros (PT), em momentos diferentes, defenderam pontos de vista antagônicos em relação ao deslocamento para a capital.

O primeiro a falar foi Cabo Bebeto, que questionou o real motivo da marcha. Ele disse que a caminhada em nada tem a ver com a defesa do uso de terras, mas sim tem um caráter político.

"A justificativa seria a suposta reivindicação da reforma agrária. Mais uma ordem de um dos líderes, de tantos movimentos que há por aí. Em nada tem a ver com isso e sim um cunho político. Algumas pessoas manobram os assentados que sequer sabem o que estão fazendo por aqui. Pessoas de influência se aproveitam de idosos por falta de instrução da grande maioria dessas pessoas. E demonstram que essa marcha em nada tem a ver com a reforma agrária", criticou Bebeto.

Para confirmar sua posição, Bebeto citou o fato das famílias terem invadido a sede da Equatorial. Ele enfatiza que a empresa não tem relação com a pauta de reivindicação. O parlamentar do PL concluiu a fala indagando por que, após 13 anos de governos do PT - numa referência as duas primeiras gestões de Lula e um mandato e meio de Dilma -, ainda existam famílias sem terra no Brasil.

Reivindicação

No final da sessão, durante as explicações pessoais, foi a vez do deputado petista Ronaldo Medeiros apresentar a defesa e a justificativa da mobilização. Inicialmente, ele desmistificou a ideia de que os movimentos são formados por baderneiros.

Segundo o parlamentar, como o próprio nome sugere, eles são um movimento e, por isso, têm sempre o que reivindicar.

Para o petista, integrantes desses movimentos não têm ligação com nada de ilícito, pois vivem para plantar e produzir alimentos.

"Não são baderneiros. São trabalhadores e trabalhadoras que querem viver da terra. E que lutam pela sobrevivência de suas famílias. Querem produzir alimentos e sobre isso todos nós sabemos que a agricultura familiar é responsável por 70% da produção da agricultura familiar", observou Medeiros.

O embate civilizado dos dois parlamentares não foi aparteado por nenhum dos parlamentares presentes a sessão. Bebeto, que acompanhou o pronunciamento do colega de parlamento, também optou por não fazer nenhuma réplica a sua fala.


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