Quarta-Feira, 11 de Março de 2026

Aeroporto em Maceió ou Rio Largo? Prefeituras disputam direito de atuar no Zumbi dos Palmares

Construído sobre os limites territoriais das duas cidades, segundo o IBGE, aeroporto gera embate sobre quem pode ficalizar áreas de embarque e desembarque, estacionamento e obras de ampliação.


Por Heliana Gonçalves e Ricardo Amaral, g1 AL e TV Gazeta
Publicada em 28/07/2022 às 16:25 - Atualizada em 28/07/2022 16:34


Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares é motivo de disputa entre as prefeituras de Rio Largo e de Maceió — Foto: Leonardo Freire/ge

Desde que a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT) de Maceió anunciou no dia 20 de julho que passaria a fiscalizar o trânsito na área do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, a disputa com Rio Largo, município vizinho, pela competência da fiscalização naquele espaço ficou mais acirrada entre as duas prefeituras.

É que, embora as companhias aéreas vendam as passagens identificando o destino como Maceió, o diagnóstico da Malha Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que o aeroporto foi construído no limite entre as duas cidades.

Para reivindicar a sua defesa pela jurisdição, a prefeitura de Maceió toma como base também uma análise do Instituto de Terras e Reforma Agrária de Alagoas (Iteral), de que 61% da área construída do aeroporto está sobre o território maceioense. Nessa área estão localizados o estacionamento, a parte administrativa e lojas.

"Não cabe a mim definir os limites entre os municípios. A minha função é seguir o que as análises técnicas, legislações e dados revelam. Nesse sentido, o Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares faz parte de Maceió. Diante disso, vamos fazer valer o que esses levantamentos apresentam com as competências da SMTT, para garantir que as pessoas não sejam prejudicadas e a segurança viária esteja assegurada para quem utiliza o local", afirmou o superintendente da SMTT de Maceió, André Costa.

Por sua vez, a prefeitura de Rio largo alega que o aeroporto pertence ao seu município, de acordo com a escritura registrada sob matrícula 1.326, no dia 6 de novembro de 1978, no primeiro Registro de Imóveis e Hipotecas de Rio Largo.

Enquanto não há consenso, a fiscalização de trânsito nas áreas de embarque e desembarque continua sendo feita pelos dois municípios. “Os agentes da SMTT municipal realizam a segurança viária há anos, além da Prefeitura de Rio Largo ser responsável pela limpeza urbana, iluminação adequada e outras manutenções”, disse o Superintende da SMTT de Rio Largo, Washington Miranda.

O prefeito Gilberto Gonçalves se manifestou nas redes sociais. "Está na lei, que o aeroporto está em terras riolarguenses. O aeroporto de Rio Largo é registrado dentro deste município, conforme sua escritura”.

A reportagem tentou contato com a empresa que administra o aeroporto, a estatal espanhola Aena Desarrollo Internacional, mas não recebeu resposta até a última atualização dessa reportagem.

 

Fiscalização dos dois municípios

Desde o dia 20, a fiscalização de trânsito na área do aeroporto está sendo feita pelas superintedências dos dois municípios.

A Prefeitura municipal de Rio Largo informou que os agentes da SMTT continuarão realizando a segurança viária do aeroporto sob jurisdição territorial.

O superintendente de Maceió, André Costa, disse que também vai manter a fiscalização dando uma atenção especial nas áreas de embarque e desembarque.

 

Briga por jurisdição já foi parar na Justiça

Antes da Prefeitura de Maceió anunciar as ações de fiscalização no trânsito dentro do Zumbi dos Palmares, os dois municípios já travavam uma disputa no que se refere à licença de construção para obras de ampliação do aeroporto. As obras estavam sendo feitas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), através da empresa que administra o aeroporto, a Aeroporto do Nordeste do Brasil S.A, (ANB).

Ao tomar conhecimento das obras, a prefeitura de Maceió foi até o local no dia 4 de julho e lavrou notificação e auto de infração pedindo que os trabalhos fossem paralisados e aplicou uma multa de R$ 44.603,82 em razão do aeroporto realizar obras sem um suposto alvará de construção.

A ANB alegou que "realizou todo o processo para obtenção das licenças necessárias para a realização das obras, tendo obtido a aprovação da ANAC, a licença ambiental emitida pelo Instituto do Meio Ambiente do Estado de Alagoas (IMA) e o alvará de construção não residencial emitido pela Prefeitura Municipal de Rio Largo", e mesmo assim os fiscais de Maceió estiveram no local impedindo que os trabalhos continuassem.

No dia 7 de julho, a Justiça de Alagoas concedeu uma liminar em favor da ANB e o Juiz Emanuel Dória suspendeu o auto de infração alegando que observou nenhum motivo para que a obra fosse interditada ou embargada, já que toda documentação apresentada mostrava que os trabalhos estavam regularizados.

O juiz deu prazo de 10 dias para a Prefeitura de Maceió apresentar as informações necessárias que possam justificar a fiscalização e suspensão das obras.


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