Terça-Feira, 10 de Março de 2026

Pesquisa constata alta mortalidade de corais em Alagoas por causa do aquecimento global

Em 2020 foi registrado o maior aquecimento oceânico na região desde que o monitoramento começou a ser feito, em 1985, gerando redução de 18% na cobertura de corais vivos na Costa dos Corais.


Por G1 Alagoas
Publicada em 15/07/2022 às 19:12


Corais em Alagoas são ameaçados pelo aquecimento global, aponta pesquisa — Foto: Peld Costa dos Corais Alagoas e Projeto Conservação Recifal

Um estudo realizado por pesquisadores do Peld Costa dos Corais Alagoas e Projeto Conservação Recifal (PCR) aponta uma alta mortalidade de corais no estado. O levantamento, publicado na Frontiers in Marine Science no final de maio, analisou o impacto do aquecimento oceânico registrado na região da Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, a maior costeiro-marinha do Brasil.

Em algumas áreas analisadas pelos pesquisadores, a mortalidade chegou a 100% para a espécie Millepora braziliensis. O coral cérebro aparece em seguida, com mortalidade de até 55%, enquanto o coral de fogo apresenta taxa de 27% de mortalidade.

De acordo com o estudo, em 2020 um conjunto de recifes da APA Costa dos Corais, próxima ao município de Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas, registrou o maior acúmulo de estresse por calor desde 1985, quando os monitoramentos começaram.

Quando o DHW (degree heating week), unidade que mede esse estresse, atinge nível 4, costuma causar um tipo de doença conhecida como branqueamento em 30% a 40% dos corais afetados, mas ainda com alguma chance de recuperação. Contudo, em maio de 2020, essa medida chegou a 12.

“O fenômeno resultou em uma redução média de 18,1% na cobertura de corais vivos em comparação com os registros pré-branqueamento”, afirma o texto do artigo.

Segundo os pesquisadores, o branqueamento dos corais é um indicativo de mudanças extremas na temperatura das águas. Essas mudanças levam as algas que normalmente vivem em simbiose com os corais e que são essenciais para sua sobrevivência saírem de seus poros, causando um aspecto esbranquiçado.

“Oito dos dez anos com as maiores anomalias no DHW aconteceram nos últimos dez anos, o que representa menos da metade do período analisado”, destacam os pesquisadores no artigo.

O levantamento aponta que o aquecimento extremo trouxe consequências drásticas para a biodiversidade local durante a pandemia de Covid-19, um período difícil para a análise. Utlilizando imagens de satélite e metodologias de monitoramento à distância, os cientistas localizaram grandes bancos de corais que sofreram branqueamento.

O estudo alerta para a possível extinção de importantes espécies de corais. “Essas espécies são ecologicamente relevantes, servindo de construtores de recifes e de habitats para peixes”.

“O significado ao longo prazo da mortalidade documentada aqui e seu impacto na comunidade, estrutura e funcionalidade da Costa dos Corais, e suas implicações para o futuro do ecossistema recifal brasileiro, permanecem incertos”, concluem os pesquisadores.

A pesquisa foi realizada por Pedro Pereira, coordenador do Projeto Conservação Recifal e membro do Peld CCAL, e outros pesquisadores ligados às Universidades Federais de Alagoas (Ufal), de Pernambuco (UFPE) e do Rio de Janeiro (UFRJ), além do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

 

Derramamento de óleo pode ter contribuído

 

O levantamento indica que o derramamento de mais de 5 mil toneladas de óleo no litoral do nordeste em 2019 pode ter contribuído para o registro das anomalias na temperatura da água na região.

De acordo com os pesquisadores, uma das áreas mais afetadas pelo crime ambiental foi a APA Costa dos Corais, próxima a Maragogi, com graves consequências para a região estudada.

“Análises metagenômicas estão em andamento para compreender melhor o papel do microbioma sob tais circunstâncias, e se esse impacto adicional deveria ter um efeito sinérgico”, diz o texto.


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