Quarta-Feira, 11 de Março de 2026

Justiça determina que Defesa Civil adote plano de retirada de pessoas que insistem em morar em bairros de Maceió com rachaduras

Juiz Frederico Wilson da Silva Danta mandou órgão apresentar medidas de desocupação de 78 imóveis em área de risco nos bairros de Bebedouro, Pinheiro, Bom Parto e Farol.


Por Michelle Farias, g1 AL
Publicada em 31/05/2022 às 17:24


Imóveis em área de risco por causa das rachaduras do solo provocadas pela mineração em Maceió precisam ser desocupadas — Foto: Justiça Federal

A Justiça determinou na segunda-feira (30) que a Defesa Civil de Maceió adote e comprove providências tomadas para retirar moradores que insistem em permanecer nas áreas de risco com rachaduras provocadas pela mineração. 78 imóveis nos bairros de Bebedouro, Pinheiro, Bom Parto e Farol são listados para desocupação.

O g1 entrou em contato com a Defesa Civil Municipal às 10h, mas ainda não recebeu resposta sobre a determinação judicial.

Por meio de nota, a Braskem informou que apoia a realocação preventiva dos moradores e comerciantes, oferecendo os meios necessários paa a mudança (confira a nota na íntegra ao final do texto).

O problema das rachaduras começou em 2018, depois de uma forte chuva e um tremor de terra de magnitude 2,5 no Pinheiro, onde surgiram as primeiras rachaduras, que depois se espalharam por imóveis e ruas do Mutange, Bebedouro, Bom Parto e Farol. Mais de 14 mil imóveis foram condenados e precisaram ser desocupados.

A ação que resultou na determinação do juiz Frederico Wilson da Silva Danta, da 3ª Vara Federal, foi movida pela Braskem, responsável pela extração de sal-gema que resultou no afundamento do solo. Os moradores que tiveram que deixar suas moradias foram incluídos no Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF) da mineradora.

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De acordo com a justificativa da Braskem apresentada no processo, 7 dos 78 imóveis listados têm risco de colapso grave e "deveriam ter sido desocupados há muito tempo". Com as chuvas dos últimos dias, uma das casas desocupadas desabou, reforçando o risco às pessoas que permanecem no local.

Uma das moradoras de um dos sete imóveis risco iminente de desabar concordou que deixaria a sua casa, mas pediu um prazo maior que o dado pela Defesa Civil, que foi 21 de maio.

 

Ainda há imóveis ocupados em áreas de risco em Maceió — Foto: Justiça Federal

Ainda há imóveis ocupados em áreas de risco em Maceió — Foto: Justiça Federal

 

Moradores alegam que o valor da idenização é baixo

 

As pessoas que ainda continuam nos imóveis das áreas de risco dizem que não aceitaram o valor oferecido pela Braskem. É o caso do comerciante Nijauro Joventino, que tem uma panificação na Rua Basileu Meira Barbosa, no bairro do Pinheiro.

Ele conta que a mudança do seu comércio requer um valor maior do que foi oferecido pela empresa e que não pode deixar o local e ficar no prejuízo.

"Não sei como um juiz dá uma decisão sem saber o real motivo de as pessoas ainda não terem saído. Uma empresa que ainda não recebeu nenhuma punição pelo crime ambiental e humano. O valor que me ofereceram é muito baixo e eu vou lutar até o fim", disse Joventino.

De acordo com a Braskem, já foram apresentadas, até o fim de abril, 14.495 propostas aos moradores das áreas de desocupação e monitoramento. 12.637 já foram aceitas e 11.382 indenizações foram pagas. No mesmo período, foram apresentadas 4.015 propostas para comerciantes e empresários, tendo sido pagas 2.815 indenizações.

A diferença entre o número de propostas apresentadas e o de acordos firmados, segundo a empresa, deve-se ao tempo que as famílias têm para avaliar as propostas ou pedir reanálise, quando não concordam com o valor oferecido.

Nota da Braskem

A desocupação dos imóveis localizados nas áreas identificadas como de risco é determinada pela Defesa Civil e obrigatória, por questões de segurança. À Braskem cabe apoiar a realocação preventiva dos moradores e comerciantes dessa região oferecendo os meios necessários para a mudança, o pagamento de auxílios financeiros e uma série de serviços gratuitos, a exemplo de apoio psicológico, por meio do Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação (PCF).

Criado para garantir que as pessoas possam ser indenizadas de maneira justa, no menor tempo possível, o PCF é um programa de adesão voluntária, que segue o cronograma de atendimento aos moradores definido com as autoridades para assegurar o tratamento isonômico aos participantes – e esse cronograma não é alterado pela permanência do morador no imóvel localizado na área de risco.

Atualmente, 99% dos móveis localizados na área delimitada pela Defesa Civil como zona de criticidade 00 – que exige realocação imediata – já estão desocupados, o que confirma o avanço das medidas implementadas e a adesão ao processo de realocação.

Em casos pontuais de resistência à mudança, a Braskem informa a Defesa Civil – órgão público que definiu o mapa de desocupação e monitoramento, e tem competência legal para determinar a desocupação dos imóveis. Caso sejam identificadas situações emergenciais, a empresa também informa as autoridades competentes para adoção das medidas necessárias que garantam a segurança e integridade física dos moradores.

O compromisso da Braskem é com a segurança das pessoas, propondo e executando as ações necessárias para isso.


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